sexta-feira, 26 de julho de 2019

Conto dedicado aos 24 anos sem Osvaldo Pugliese (1905 - 1995)...


A boa morte


               1995, algum dia do mês de julho...
               Ela havia ido visitá-lo. A noite já se fazia caída, perto da madrugada, em Buenos Aires quando ela atravessou a porta de onde ele se encontrava, em seus derradeiros dias. Osvaldo Pugliese* dificilmente chegaria aos noventa anos completos na condição em que se encontrava. O pianista reconheceu a bela e pálida figura usando um longo e liso vestido azul de mangas longas agora perto de sua cama, tão diferente da primeira vez que a havia visto...
               - Eu não esperava vê-la de novo, Paquita. Quantos anos? Setenta ou alguns menos?
               - É, “fiz aniversário” dia 14 de abril. E nunca entendi como soube sobre mim – disse ela puxando uma cadeira.
               - Você sempre foi uma figura marcante, senhorita Bernardo. Dificilmente eu não entenderia apesar da complexidade de sua situação. Situação essa que nunca quis ter comigo – disse ele ao lembrar-se de quando havia recebido a proposta de imortalidade pela figura ali presente. Ela lembrou-se da recusa do mesmo, alegando ter amigos e uma família a prezar e que não necessitava ser imortal para ter a vida que gostava. E o pianista estava certo de que apesar de tudo, havia tido uma boa vida, cercado de pessoas, e fazendo tudo, que realmente amava.
               E agora, tudo o que ele desejava era uma boa morte, preferencialmente tranquila e serena, assim como era a primeira maestrina que havia tido em sua carreira...
               - Pugliese, eu... sempre respeitei sua vontade, mas saiba que... vou sentir a sua falta, mi  muchachito – disse a bandoneonista com tristeza, pois nem todos podiam viver tanto quanto ela. Isso muito a entristecia, porém, Paquita sempre tinha de se acostumar com o fato de que nem todos achavam a imortalidade um presente.
               No entanto, ela mesma muitas vezes se questionava se ser fisicamente eterno era mesmo um presente. Ela não podia ver a luz do dia. Sua alimentação básica era sangue embora pudesse comer alimentos sólidos caso seu sistema estivesse revivido pelo “elixir da vida”. Procurava não matar, porém, sentia terrível vontade de fazê-lo quando via como parte das pessoas estava se tornando cada vez pior e os atos cada vez mais hediondos cometidos por quem se dizia “humano”.
               Ao mesmo tempo, porém, existiam humanos que realmente se dedicavam ao bem, muitas vezes arriscando suas próprias vidas em nome disso. Não eram raros aqueles que acabavam desaparecendo fisicamente por essa razão. Quantos ela havia salvado e quantos ela não havia podido salvar. Quantos outros agora eram esquecidos apesar de tudo o que haviam feito em nome de obter o melhor para todos. E outros que passavam por esta vida sem sequer serem conhecidos por suas boas obras?
               Na verdade, era sempre difícil colocar na balança os prós e os contras daquela vida e medir qual lado pesava mais. Ambos tinham igual peso. Era bom e ruim ao mesmo tempo. A imortalidade, no entanto, não era apenas ser como ela era. Existia outro modo de tornar-se imortal: deixando boas lembranças nos corações daqueles que amamos e/ou obras inesquecíveis para apreciação daqueles capazes de amá-las em sua plenitude. Aquele modo era exatamente o que Pugliese obteria: Recuerdos e La yumba, ademais de tantas outras composições, eram obras que dificilmente seriam esquecidas pelos apreciadores de verdadeiro tango. E ele era uma pessoa muito agradável de conviver, além de possuir um grande e amável coração.
               - Paquita, não chore por mim, por favor – pediu o velho pianista ao perceber que sua antiga regente havia abaixado os olhos.
               Ela novamente os levantou e o olhou tristemente: - Me acostumar a sua futura ausência dói muito. Entenda. Eu te conheci quando você era tão só um garotinho e te ver agora enquanto permaneço eternamente a mesma não é algo fácil.
               - Todos nós temos uma missão neste mundo, Paquita. Sinto que a minha já terminou – disse ele sorrindo como se dissesse que apenas fazer o que gostava e ter sido um sucesso por isso já havia sido o suficiente para uma vida inteira, para em seguida segurar debilmente a fria mão dela: - Talvez a sua ainda não tenha acabado, seja o que isso queira dizer. Há neste mundo mistérios que nem todos podem compreender, mesmo eu não posso. No entanto, se quer saber, não me importo. Tive tudo o que quis nesta vida e até mesmo o que não precisei. Apreciei cada momento vivido e cada nota tocada.
               - E eu amei cada minuto em que pude conviver com você, Osvaldo Pedro Pugliese – respondeu ela feliz, embora entonações de tristeza se escondessem em sua voz.
               Ambos estavam emocionados. Ele por rever uma velha amiga. Ela porque o pianista ainda se recordava dela com muito carinho mesmo tendo visto o que vira quinze anos antes. Os dois trocaram um longo olhar repleto de amizade até ela dizer, com certa dor em seu coração há tanto tempo parado: - Adeus, meu amigo.
               - Não é um adeus, não quando sei que levarei você para sempre em minhas lembranças – respondeu ele sorrindo para receber uma réplica: - E você permanecerá eternamente nas minhas.
               A magia do momento havia se dissipado. Paquita Bernardo tomou as ruas de Buenos Aires mais uma vez. Perguntou-se se algum dia veria a luz do sol novamente. Questionou-se se aquela sina valia a pena. De repente, porém, as perguntas foram embora, dando lugar a uma adorável resposta: só pelo amor valia aquela não vida, que também era não morte. Sim, o amor a havia levado até ali. No fim, apenas o amor, em todas as suas formas, era infinito, a despeito de qualquer coisa.
               Até mesmo da boa morte que Osvaldo Pugliese teria no dia 25 de julho.


*: Nasceu em 02 de dezembro de 1905, no bairro de Villa Crespo, em Buenos Airtes, Argentina. Foi compositor, pianista e diretor profundamente dedicado ao tango, sendo um dos seus maiores expoentes. Com a idade de oitenta anos e pelo menos várias décadas de carreira, tocou, junto de sua célebre orquestra batizada com seu nome, no famoso Teatro Colón, até então exclusivo de atividade acadêmicas. Faleceu em 29 de julho de 1995, após uma breve enfermidade.

sexta-feira, 19 de julho de 2019

Não é sobre ter um lado ruim, é como você lida com ele...


Existe uma verdade universal muito inconveniente, mas que convenientemente ninguém comenta sobre, não é mesmo?

Todos nós, sem exceção, temos um lado ruim.

Chame isso de demônio interno, metade negra, lado sombrio ou o que for. O fato é: ele está dentro de cada um de nós e cabe a nós olhar diretamente para ele e se recusar a ceder ao mesmo.

Não é simplesmente como comer um doce, pastel ou qualquer comidinha gordurosa e sentir culpa depois porque saiu da dieta ou o escambau.

terça-feira, 18 de junho de 2019

Los Cuentos de Hadas Porteños:

Boa noite, como estão, leitores teimosos? Que tal mais umas pinceladas de universo literário na vida de vocês?

A partir de agora, passo a postar sobre personagens, trechos de contos e romances extensos (tem até fanfic), trilha sonora, alguma resenha ou review de filme (não sei se vai acontecer porque isso eu deixo com o blog onde colaboro) e claro, falar dos personagens que habitam esse universo. Cada um deles, a seu modo, protagonista.


Hoje, no entanto, venho falar dos Contos de Fadas Portenhos, uma releitura vampiresca, monstruosa e sangrenta dos tão famosos contos de fadas da literatura, sejam as versões orais, de Perrault ou Irmãos Grimm. Ou até mesmo as releituras modernas em romances New Adult...

La Cenicienta (Cinderela) – Trinidad Rosa, apelido Rosita, é uma bela jovem órfã de mãe e com o pai desaparecido. Em troca de manter o padrinho morando com ela, a jovem faz todas as tarefas domésticas para ela e suas duas filhas como um modo de pagar a estadia, pois o homem não tem mais onde cair morto depois de perder tudo graças a um investimento mal feito. Heidi, uma belíssima loira, sempre implica com ela e a outra, Amélie, uma mulher grande e taciturna de olhos azul escuros, mantem-se educadamente distante por motivos desconhecidos. A jovem não gosta nada dessa situação e ansiosamente espera pelos seus 21 anos, quando poderá ter controle da própria herança, já que apenas ela pode mexer, pois Gerardo Nieves deixou todo o dinheiro para a filha. Ela, porém, encontra uma carta endereçada à sua madrasta e descobre uma horrenda trama. Rosita a todo o custo quer fazer justiça e trazer a verdade à tona ao mesmo tempo em que uma ajuda tanguera do além-túmulo chega para dar um empurrão na situação.

Blancanieves y los siete vampiros (Branca de Neve e os sete anões) – A grande beleza da jovem Lucía chama a atenção de todos e causa imensa inveja em sua madrasta, desejosa de herdar a grande fortuna deixada pelo falecido pai da jovem. Levada por sua ganância e ódio, a mulher manda assassinar a enteada com um engenhoso plano que poderia ter dado certo. Se, na ocasião da tentativa de homicídio, a jovem não tivesse revelado, sem querer, um segredo que faz o homem fugir e ser obrigado a extrair o coração de um cadáver para não voltar de mãos vazias. Lucía, ao perceber o perigo que corre, resolve procurar respostas, sem imaginar que, ao esconder-se em um prédio abandonado, irá encontrar um inusitado grupo que lhe dará bem mais que isso.

La bella y la bestia (A Bela e a Fera) – Lígia, uma jovem estudante de medicina, procura desesperadamente um amigo desaparecido que lhe escreveu uma estranha mensagem de texto no celular. Encontrando o local indicado, ela pula o muro de uma mansão aparentemente desabitada. Ela, porém, descobre que a enorme casa é habitada por uma criatura cujo prenome ela acha um tanto familiar embora sua sinistra aparência não lhe transmita nada além de pavor. Ele, injuriado pela invasão, resolve que ela lhe fará companhia por um longo tempo. Ela aceita, temendo por sua vida e pela do amigo, que conseguiu fugir com sua ajuda. Ambos não imaginam, no entanto, que tudo pode acontecer quando duas pessoas tão diferentes ocupam o mesmo espaço.

La Bella Durmiente (A Bela Adormecida) – Um misterioso caso de coma intriga os médicos há pelo menos seis décadas: a paciente não envelheceu um único dia desde sua chegada ao hospital. Um vampiro, “palhaço voluntário” na parte pediátrica, encanta-se por ela sem saber que terá de enfrentar um duro confronto se quiser tê-la para sempre.

A torre acima da nuvem (Rapunzel) - O vampiro Ernesto Ponzio, dotado da aparência de um rapaz de vinte anos, é louco por skate, rock, mangás, desenhos animados, games, All Stars e garotas bonitas com pescoços expostos. (Não necessariamente nessa ordem.) Ao ouvir sobre várias meninas desaparecidas ao longo dos anos da ditadura militar argentina, ele se interessa pela história, em especial por um dos nomes, a filha jamais encontrada de uma de suas vizinhas, sem imaginar que viverá uma aventura digna de RPG.

La Caperucita Roja (Chapeuzinho Vermelho) – A jovem Marian, ao ir visitar a avó em um asilo, onde ela passou a viver para não se sentir sozinha, em uma tarde de inverno, acaba seguindo a indicação de um estranho mendigo, demorando um bocado para chegar ao seu destino. Ela não imagina, porém, que o caminho é demorado demais e isso acaba custando a vida da avó que ela tanto ama. Em luto e sofrendo pela morte da “abuelita”, ela quer justiça, mas por falta de evidências, ninguém a ouve. Mas ela é alguém capaz de ir até as últimas consequências pelo que considera certo.

Juan y María (João e Maria) – Sequestradas por um grupo que vende carne humana para ricos consumirem como uma iguaria cara e única, os irmãos Juan e María conseguem fugir após um deles fazer os raptores dormirem com um sonífero. No entanto, ao descobrirem que seu sequestro foi armado pelo tio desejoso de herdar a fortuna a qual os garotos têm direito, os dois, furiosos e com desejo de vingança, invocam uma ajuda do mundo dos mortos. No entanto, o preço a pagar por isso pode ser alto demais.

A Joia de Aldebaran (Aladin e a Lâmpada Maravilhosa) – Um simples caso de segurança particular converte-se em um enorme problema quando a filha de um poderoso homem consegue driblar a segurança e fugir do palácio onde vive. Determinada a não seguir os protocolos da família, ela acaba indo parar em um acampamento abandonado no deserto sem saber que a noite lhe reserva uma surpresa inesperada.

A casa da colina (João e o Pé de Feijão) – Membro de uma gangue de ladrões de joias, Juan Alvarez é incumbido de roubar uma famosa joia cuja localização é em uma enorme casa localizada em um local afastado de qualquer ponto conhecido. O local, cercado de sinistras histórias envolvendo o sobrenatural, não faz o ladrão temer. Porém, o que irá encontrar lá pode ser muito mais do que ele teria desejado.

quarta-feira, 12 de junho de 2019

Notas do Professor Elijah Colman - Vampiros (Parte 1)


O que é um vampiro? A definição básica, ou pelo menos a mais conhecida por todos, é de um ser que sai de sua tumba à noite para sugar o sangue das vítimas.

O conceito, porém, vai muito mais longe do que isso, se nós observarmos as lendas que correm o mundo. Devo dizer, os vampiros não possuem uma origem em comum, já que lendas de criaturas que se alimentam de sangue existem em todo o mundo desde tempos muito remotos.

Entretanto, os vampiros atuais não se parecem nada com o da grande maioria das lendas. Vejamos alguns aspectos:

- Eles facilmente se misturam aos humanos;

- Eles podem ou não usar ataúdes para dormir;

- Não andam pelo dia embora Bram Stoker tenha dito que Drácula, seu mais famoso personagem, podia fazê-lo. Existem controvérsias quanto a isso;

- Suas presas se camuflam entre os dentes normais para evitar descobertas indevidas por pessoas impressionáveis;

- A maior parte das fraquezas pode ser eliminada com prolongado e pesado treinamento. Isso, porém, vai de vampiro para vampiro. Nem todos conseguem eliminar completamente a repelência pelo alho e arruda, atualmente os melhores métodos para detectar vampiros. Contudo, nunca compreendi de fato o motivo de ambos serem tão eficientes em pelo menos 90% dos casos;

- Existem pelo menos doze tipos diferentes de vampiros, mas suas histórias detalhadas precisariam de muitas páginas para serem contadas (pretendo fazê-las dentro em breve):

sexta-feira, 7 de junho de 2019

Sobre o que eu sou...



Ser um vampiro...

É dançar sobre cacos de vidro.

Tentar descobrir, mas jamais realmente saber, o que a vida te roubou.

Perceber que a vida como um todo, é um grande e soturno sortilégio.

Saber que nossos sentimentos são uma tormenta de paixões, desejos e loucuras.

Perceber que há um mundo muito maior lá fora a ser explorado e saber que o tempo humano não seria o suficiente para isso.

Agarrar-se às mais frugais e pequenas coisas da vida para não sucumbir ao peso da longevidade.

Mesmo o ser humano sendo uma miserável pilha de segredos e não raramente sendo o pior dos seres.

Ter a certeza de que o tempo não é uma constante estática, mas um continuum em eterna mudança.

Pelo menos é nisso que eu gostaria de acreditar.

Talvez eu acredite.

Porque a única saída é continuar em frente.


Ángel Villoldo (Cantor, ator, compositor, conhecido como "El Padre del Tango".)

segunda-feira, 3 de junho de 2019

Yo soy Lisandro de la Torre...



Sobre mim anteriormente, você não precisa saber de muito, exceto que não tive a vida mais feliz de todas.

Hoje, eu sou um vampiro.  Não muito feliz porque ainda existem pendências não superadas. Embora eu compense isso, ou tente, tendo encontros fortuitos com ambos os sexos quando consigo folga do trabalho.

Que é ser parte da Polícia Metropolitana de Buenos Aires, no posto de tenente investigador, com uma parceira que não raramente me repreende feio quando exagero nas abordagens.

E é por isso que sempre recordo uma frase de um dos meus filósofos favoritos, Nietzsche:
"Quem luta contra monstros deve ter cuidado para não se tornar também um monstro.” 
É difícil não ser um monstro quando grande parte dos humanos não age com humanidade.

Por que então eu deveria me segurar?

Porque eu não quero ser um monstro.

Na verdade, já fui o pior deles e posso garantir que é uma sensação muito ruim.

Uma sensação que me traz constante infelicidade.

Eu sou Lisandro de la Torre*...

Na eterna busca pela parte da minha alma que se perdeu naquele dia no senado da nação.

(Trecho do diário do oficial Nicolás da Polícia Metropolitana, encontrado por um guarda.
O guarda está desaparecido desde então.)


Biografia: https://es.wikipedia.org/wiki/Lisandro_de_la_Torre

segunda-feira, 27 de maio de 2019

Notas da Autora: A Criação de um Universo Fantástico Contemporâneo

Boa noite, meus amados leitores, sentiram a falta da Lady Trotsky e das histórias dos Vampiros Portenhos?  Se sentiram, saibam que, apesar de todo o tempo que levei para retomar o blog antes de voltar a algumas semanas, ele foi essencial para recuperar inspiração e continuar a história de Bajo el signo del amor, que introduz mais um pedaço desse universo fantástico...

Os reinos de Morav e Sylene, inspirados em uma das mais famosas obras sobre vampirismo escritas até hoje, ainda que obras melhores tenham surgido mais tarde e sua acuidade hoje seja bastante questionada considerando a quantia de avanços técnico-científicos dos últimos trezentos anos. A obra em questão: Dissertação sobre as aparições de anjos, demônios e espíritos, e sobre os revividos e vampiros da Hungria, da Boêmia, da Moravia e da Silésia, que ganhou uma "segunda versão" com o título modificado: Tratado sobre as aparições dos espíritos e sobre os vampiros ou os revividos da Hungria, Moravia, etc. (Prestem atenção no primeiro título e vão entender o porquê dos nomes dos reinos, o que tem MUITO a ver com a backstory de ambos como um todo, mas isso é para um futuro post porque tenho um cronograma a cumprir.)

Como não existe uma versão completamente traduzida (pelo menos até onde eu sei), vocês podem ficar com esse texto, podendo acessá-lo aqui: Dom Calmet, o primeiro caçador de vampiros da História ou ler nas imagens, escaneadas, depois editadas, por mim do Livro dos Vampiros - A Enciclopédia dos Mortos-Vivos, altamente recomendado para quem gosta do assunto, mas hoje raro de encontrar e com um precinho muito salgado, mas quando digo que vale a pena, eu falo sério mesmo, a biografia de Don Augustin Calmet, o autor da dissertação...